sexta-feira, 19 de junho de 2015

Atividade 1 Sociologia

Atividade 1
1.      Quais os principais elementos que marcaram o surgimento da Sociologia enquanto fruto de transformações históricas, sociais e intelectuais?
R= A sociologia surgiu, na primeira metade do século XIX, sob o impacto da Revolução Industrial e da Revolução Francesa. O papel decisivo da “dupla revolução” foi amplificado pelo debate intelectual da época. E num ambiente marcado pela competição entre as visões de mundo do conservadorismo, do liberalismo e do socialismo – daí seu esforço constante para se distinguir dessas correntes, apresentando-se como uma alternativa, científica ou mesmo crítica, em relação a tais modelos explicativos.
A ambição intelectual da sociologia, a tentativa de compreender, em um registro científico, a origem, o caráter e os desdobramentos dessa nova sociedade, levou-a a se apresentar como uma espécie de contraponto em relação às demais disciplinas das “ciências humanas”. Assim, desde o início, a sociologia procurou diferenciar-se da economia, da história, da geografia, da filosofia, da psicologia etc.
2.      No texto O que é Sociologia Anthony Giddens destaca três implicações práticas a respeito do estudo da Sociologia. Comente-as e exemplifique com fatos relacionados com o cotidiano escolar.
R= Existem várias implicações práticas para o estudo da sociologia, dentre elas podemos destacar as seguintes:
Consciência de diferenças culturais - Em primeiro lugar, a Sociologia permite que olhemos para o mundo social a partir de muitos pontos de vista. Muito frequentemente, se compreendermos corretamente o modo como os outros vivem, adquirimos igualmente uma melhor compreensão dos seus problemas. As medidas políticas que não se baseiam numa consciência informada dos modos de vida das pessoas que afetam têm poucas hipóteses de sucesso. Deste modo, um assistente social branco que trabalhe numa comunidade predominantemente negra não irá ganhar a confiança dos seus membros, a não ser que desenvolva uma sensibilidade face às diferenças de experiência social que frequentemente separam brancos e negros.
Avaliação dos efeitos das políticas
Em segundo lugar, a pesquisa sociológica fornece uma ajuda prática na avaliação dos resultados de iniciativas políticas. Um programa de reformas práticas pode simplesmente falhar a consecução dos objetivos que os seus autores pretendiam, ou produzir consequências não intencionais de cariz prejudicial. A título de exemplo, refira-se que nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial construíram-se grandes blocos habitacionais de iniciativa pública no centro das cidades de muitos países. A intenção era providenciar um bom nível de habitação, com zonas comerciais e outros serviços públicos à mão, para os moradores dos bairros degradados e com baixos rendimentos. Contudo, a investigação mostrou que muitos dos que se mudaram para esses blocos habitacionais se sentiam isolados e infelizes. Em muitos casos os grandes blocos habitacionais e as áreas comerciais em zonas pobres depressa se degradaram, tendo-se transformado em viveiros para a ladroagem e outros crimes violentos.
Auto-consciencialização - Em terceiro lugar, e em alguns aspectos o mais importante, a Sociologia pode permitir-nos uma auto-consciencialização — uma auto-compreensão cada vez maior. Quanto mais sabemos acerca das razões pelas quais agimos como agimos e como funciona, de uma forma global, a nossa sociedade, tanto mais provável é que sejamos capazes de influenciar o nosso futuro. Não devemos conceber a Sociologia como algo que apenas ajuda os decisores políticos - ou seja, os poderosos — a tomar as melhores medidas. Não se pode presumir que aqueles que estão no poder, ao tomarem decisões, tenham sempre em consideração os interesses dos grupos menos poderosos ou desfavorecidos. Os grupos com autoconsciência podem, com frequência, beneficiar da investigação sociológica, para assim poder responder de uma forma eficaz às medidas políticas governamentais ou para promover as suas próprias iniciativas políticas. Grupos de auto-ajuda, como os Alcoólicos Anónimos, e movimentos sociais, como os ecologistas, são exemplos de grupos sociais que lograram introduzir reformas práticas com um sucesso considerável.
3.      As teorias sociológicas clássicas de Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber apresentam diferentes perspectivas sobre a sociedade. Disserte sobre as diferenças teóricas desses autores ressaltando a definição do objeto e método de estudo.
R= Os primeiros teóricos da sociologia buscavam compreender o comportamento da sociedade diante da realidade em que viviam. Baseado em teorias e métodos de estudos chegaram sobre a sociedade chegaram a determinadas conclusões.
Émile Durkheim (1858-1917) - O seu famoso princípio básico da Sociologia era estudar os fatos sociais como coisas. Queria com isso dizer que a vida social podia ser analisada com o mesmo rigor com que se analisam objetos ou fenómenos da natureza. De acordo com o autor, fatos sociais são formas de agir, pensar ou sentir que são externas aos indivíduos, tendo uma realidade própria exterior à vida e percepções das pessoas individualmente.
Outra característica dos fatos sociais é exercerem um poder coercivo sobre os indivíduos. No entanto, a natureza constrangedora dos factos sociais raramente reconhecida pelas pessoas como algo coercivo, pois e uma forma geral atuam de livre vontade de acordo com os fatos sociais, acreditando que estão a agir segundo as suas opções. Na verdade, afirma Durkheim. Frequentemente as pessoas seguem simplesmente padrões que são comuns na sociedade onde se inserem. Os fatos sociais podem condicionar a ação humana de variadas formas, que vão do castigo puro e simples (no caso de um crime, por exemplo) a um simples mal-entendido (no caso do uso incorreto da linguagem).
Max Weber (1864-1920) - Na perspectiva de Weber, os fatores económicos eram importantes, mas as ideias e os valores tinham o mesmo impacto sobre a mudança social. Ao contrário dos primeiros pensadores sociológicos, Weber defendeu que a Sociologia devia centrar-se na ação social, e não nas estruturas. Argumentava que as ideias e as motivações humanas eram as forças que estavam por detrás da mudança -- as ideias, valores e crenças tinham o poder de originar transformações. Segundo o autor, os indivíduos têm a capacidade de agir livremente e configurar o futuro.
Karl Marx (1881-1883) - A perspectiva de Marx assentava no que denominava concepção materialista da história. De acordo com esta perspectiva, não se encontram nas ideias ou nos valores humanos as principais fontes de mudança social. Pelo contrário, a mudança social é promovida acima de tudo por fatores económicos. Os conflitos entre classes fornecem a motivação para os desenvolvimentos históricos -- eles são o motor da história. Nas palavras de Marx, toda a história humana é, até à data, a história da luta de classes.
Portanto, a principal preocupação intelectual da Sociologia reside no estudo dos factos sociais. O objeto de estudo da sociologia engloba a análise dos fenômenos de interação entre os indivíduos, as formas internas de estrutura (as camadas sociais, a mobilidade social, os valores, as instituições, as normas, as leis), os conflitos e as formas de cooperação geradas através das relações sociais, e a descrição sistemática e análise de determinados comportamentos sociais.
4.      A partir da contribuição teórico-metodológica dos clássicos da Sociologia (Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber), apresente a postura analítica da educação de seus principais representantes na sociedade capitalista.
R= Os clássicos da sociologia nos permitem apropriar de instrumentos para análises do papel da educação na sociedade capitalista do final do século XX e inicio do XXI, compreendendo quais os novos elementos que estão sendo produzidos na educação, em especial na escola, que contribuam para a reprodução das relações sociais em seu caráter mais amplo, ao mesmo tempo em que identificam quais os elementos que estão sendo reproduzidos para garantir as novas formas produzidas pelo capital para garantir seu poder de dominação.
Por outro lado, também contribui na identificação dos novos elementos produzidos na educação e que contribuem para a luta pelas transformações das relações sociais de produção capitalista e os próprios elementos que são reproduzidos na educação e na escola como formas de resistência à exploração imposta pelo capital.
Portanto, defendemos a tese de que, para melhor compreendermos as transformações hoje na educação e o papel que a escola cumpre no processo de globalização da economia e da implementação da política neoliberal, faz-se necessário retomarmos os clássicos da sociologia, não como ecletismo teórico, mas sim tomarmos como referencial teórico-metodológico e incorporando contribuições valiosas do pensamento clássico como elementos subordinados ao referencial teórico metodológico escolhido.
5.      Anthony Giddens (2005, p. 17-19) considera o funcionalismo, a perspectiva do conflito e o interacionismo simbólico como as três correntes mais importantes na Sociologia. Explique cada uma delas.
R= Funcionalismo
O funcionalismo defende que a sociedade é um sistema complexo cujas partes se conjugam para garantir estabilidade e solidariedade. Segundo esta perspectiva, a Sociologia, enquanto disciplina, deve investigar o relacionamento das partes da sociedade entre si e para com a sociedade enquanto um todo. O funcionalismo enfatiza a importância do consenso moral na manutenção da ordem e da estabilidade na sociedade. O consenso moral verifica-se quando a maior parte das pessoas de uma sociedade partilham os mesmos valores.
Perspectiva do Conflito
Tal como os funcionalistas, os sociólogos que adotaram as teorias de conflito sublinham a importância das estruturas na sociedade. Defendem também um modelo abrangente para explicar a forma como a sociedade funciona. Os teóricos do conflito rejeitam, no entanto, a ênfase que os funcionalistas dão ao consenso. Pelo contrário, preferem sublinhar a importância das divisões na sociedade. Ao fazê-lo, centram a analise em questões de poder, na desigualdade e na luta. Tendem a ver a sociedade como algo que é composto por diferentes grupos que lutam pelos seus próprios interesses.
Mas tão ou mais importantes são os campos que se caracterizam pelo conflito e pela divisão. De acordo com Dahrendorf, o conflito surge principalmente do facto de os indivíduos e grupos terem diferentes interesses. Marx concebia as diferenças de interesses, sobretudo em função das classes, mas Dahrendorf relaciona-as de uma forma mais vasta com a autoridade e o poder. Em todas as sociedades há uma separação de interesses entre aqueles que detêm autoridade e aqueles que estão em grande medida excluídos dela, uma separação entre governantes e governados, portanto.
Interaccionismo simbólico
O interaccionismo simbólico nasce de uma preocupação com a linguagem e o sentido. O interaccionismo simbólico dirige a nossa atenção para os detalhes da interação interpessoal, e para a forma como esses detalhes são usados para conferir sentido ao que os outros dizem e fazem. Os sociólogos influenciados por esta corrente teórica centram muitas vezes a sua atenção na interação face-a-face e nos contextos da vida quotidiana, realçando a importância do papel dessas interações na criação da sociedade e das suas instituições.


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