sexta-feira, 19 de junho de 2015

APARELHO IDEOLÓGICO E REPRESSIVO DO ESTADO

Nestes últimos dias a sociedade brasileira presenciou o modo como professores foram tratados por conta de suas manifestações. Faça um resgate do pensamento de Antônio Gramsci, Bourdieu e Passerou  explicitando como os teóricos explicariam os fatos ocorridos.

Primeiramente devemos entender melhor o conceito de manifestação, pois isto tem um significado expressivo que vai nos ajudar e entender o desenvolvimento do texto.
Uma manifestação é uma ação de conjunto em favor de uma causa ou protesto contra algo, geralmente em busca de direitos e tem o objetivo de demonstrar (em geral ao poder instalado), no caso a repressão do estado, o descontentamento com relação a algo que são em geral do âmbito político, econômico, e social.
No Brasil é comum esse tipo de ação, geralmente por falta de direitos e principalmente pelas desigualdades sociais. Dentre as principais falhas que existe em nossa sociedade está a educação, desde seu início foi esta a formadora da sociedade por isso tais conflitos. Atualmente tudo e todos estão reivindicando direitos, melhorias de condições e enfim, mudanças e a educação faz parte disso.
O comum seria alunos em busca de melhores condições, pois sabemos que estes nem sempre possuem tais privilégios que muitos outros possuem, e aí se encontra as desigualdades. Porem, direitos existe para todos, e não deixando de esquecer, dentro da educação o principal formador direto de um aluno é o professor, se este está desconte com alguma causa ou falha dentro do sistema é de direito o agir em favor da busca por melhores condições e igualdade, pois o professor tem uma formação intelectual que lhe dá a capacidade de manifestar seus pensamentos e opiniões.
Desde tempos atrás teóricos já tentavam explicar a educação e sociedade. Antonio GramsciDefende uma educação única, crítica e criativa, que desenvolvesse tanto competências predominantemente intelectuais quanto manuais (técnicas), possibilitando a autonomia dos sujeitos, e vemos isto quando um cidadão formado tem a capacidade de autonomia em suas ações, no contexto, o agir em ação de manifestações. Pierre Bourdieu analisou o funcionamento do sistema escolar e colocou em uma de suas frases e seguinte ideia “Não há democracia efetiva sem um verdadeiro poder crítico”, e esse poder crítico está em cada um de nós formados para agir em sociedade. Passeron analisou profundamente a desigualdade na sociedade, Na obra “A Reprodução” que foi criada por ele e Bourdieu fala sobre a desigualdade de classes e a relacionam com a probabilidade de êxito em todos os campos da vida. Em sumo, ele fala que o sistema elimina os fracos e não se preocupa mais em resgatá-los. Assim vemos que há desigualdades entre classes não só em sociedade, mas também dentro da educação que esta não deixa de fazer parte da sociedade, e os únicos que devem se “resgatar” de tais problemas são aqueles que fazem parte, e isso sempre acontece pelos mais fracos e oprimidos pelo poder de repressão que o Estado coloca, assim os que estão em posição de mais fracos vão buscar e lutar por em seus favor, havendo um conflito entres partes.

ESTUDO DIRIGIDO

Atividade
1º) Estabeleça a relação entre Ideologia e Educação.
R= A ideologia constitui uma série de preceitos que tem como objetivo influenciar e direcionar as atitudes, opiniões e pensamentos dos indivíduos, beneficiando aqueles que detêm o poder. Essa influência procura moldar e transmitir os valores vigentes em cada sociedade, os meios de disseminação são desde histórias infantis, programas de televisão, lendas folclóricas até livros didáticos. A educação mostra-se um valioso meio de propagação das ideologias de uma sociedade. Os livros didáticos estão cheios de valores, morais e ideias sociais formadoras de uma consciência coletiva. Através da educação o conhecimento crítico é estimulado e inculcar a ação revolucionária que sejam, uteis e benéficas para a emancipação sociopolítica, ou seja, educação versus ideologia ela é única arma humana que pode mostrar a ideologia no seu verdadeiro contexto, e assim dando a possibilidade de driblar seus conceitos impostos.
2º) Considerando o pensamento de Gramsci, explique o que são, quais são e como funcionam os aparelhos repressivos do Estado e os aparelhos ideológicos do Estado.
R= Os aparelhos ideológicos foi termo desenvolvido pelo teórico marxista Louis Althusser para designar as instituições, como a educação, as igrejas, família, mídia, sindicatos, e de direito, que formam formalmente o controle estatal, e que transmite os valores do estado. Os Aparelhos Ideológicos tem como função a manutenção da ordem estabelecida, seja na família, religião, política, sindicato, cultura, imprensa, sobretudo para reprodução capitalista das relações de produção.
3º) Diferencie a ideologia orgânica da arbitrária.
R= Como sabemos A ideologia constitui uma série de preceitos que tem como objetivo influenciar e direcionar as atitudes, opiniões e pensamentos dos indivíduos, beneficiando aqueles que detêm o poder. Antonio Gramsci dizia que era preciso distinguir os conceitos de ideologia orgânica da ideologia arbitrária, pois são diferenciadas no seu contexto histórico, já que a orgânica serve para organizar as forças sociais e para os homens e mulheres tomarem consciência de sua posição de luta. Para Gramsci, a ideologia é, no primeiro momento, o cimento do alicerce da estrutura social. Na ideologia arbitrária, o pensamento ideológico é imposto de maneira alienada, com um domínio pelo poder de Estado do repasse e divulgação da doutrina.
4º Como a ideologia orgânica poderia funcionar como instrumento de combate da ideologia arbitraria?
R= Ideologia orgânica é coletiva e necessária aos homens já que organiza as forças sociais fazendo com que haja uma maior consciência de homens e mulheres em sua posição de luta diante da alienação e domínio da ideologia arbitrária, assim igualando e combatendo seus conceitos dentro da sociedade.
5º) Teça comentário reflexivos e explique as realidades evidenciadas nas sentenças abaixo:
a) O ensino público, no Brasil, historicamente tem ensinado a submissão dos alunos e alunas, com uma prática ideológica alienante.
A prática da educação ideológica, ela passa de oprimida a opressora, pois não desenvolve uma pedagogia livre da superestrutura, ao contrário, torna os alienadores da, já alienada, sociedade dos oprimidos. Esta pedagogia não pode ser elaborada nem praticada pelos opressores", os opressores (classe dos que dirigem os poderes do Estado). Quando uma classe assumi o poder e passa a desenvolver  concepções de projeto educacional progressista centrada em definições acabadas, em que o dialogo é apenas mera verbalização alienante e na qual não se pode denunciar a falta da democracia educacional. É um ativismo que nega a práxis pedagógica verdadeira, reduz a reflexão ao conjunto já pré-determinado pelos intelectuais orgânicos do sistema educacional vigente.
b) Os sistemas educacionais têm formulado projetos que priorizam conhecimento acabado em detrimento de um aprendizado dialético, não concebendo a educação como um todo, como uma busca por uma educação cidadã.
Todos os projetos educacionais brasileiros trazem consigo uma ligação com o governo, onde o Estado é que tem condições de decidir, fazendo verdadeiros projetos ideológicos que nos empurram como um comprimido educacional de passividade, como se fosse um remédio para a doença educacional do país. Projetos dados como verdadeiras obras primas da pedagogia moderna, serem desfeitos por completo ou parcialmente, depois da troca de governo municipal.
Esses projetos que são desenvolvidos no Brasil são cercados de uma propaganda massificada, que tem como fundo uma conscientização de alienação coletiva com dosagens de mudanças apenas de ideologia, formando um sistema educacional mediado por um conjunto incoerente de unidades múltiplas de elementos reunidos sob um único princípio: a ideologia.
6º) Quais as contribuições que a Filosofia pode oferecer para a educação?

A filosofia oferece para educação reflexões necessária ao homem contemporâneo, tendo em vista a articulação do compromisso do cidadão moderno com o seu tempo. A Filosofia, ao longo da sua história, contribuiu para esclarecer uma serie considerável de dúvidas, o que ajudou nas transformações qualitativas na sociedade.

CONCEPÇÕES FILOSÓFICAS E TENDENCIAS PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO

Tendências pedagógicas da educação e suas concepções
As tendências pedagógicas se dividem em: Tendência Liberal que esta se divide nas concepções pedagógica Tradicional, Renovada e Tecnicista; e Tendência Progressista que esta se divide nas concepções Libertária, Libertadora, e Crítico-social ou Histórico-Crítica.
tendência pedagógica liberal sustenta a ideia de que o aluno deve ser preparado para papéis sociais de acordo com as suas aptidões, aprendendo a viver em harmonia com as normas desse tipo de sociedade, tendo uma cultura individual. Dessa forma, o indivíduo deve adaptar-se aos valores e normas da sociedade de classe, desenvolvendo sua cultura individual. 
Tendência Pedagógica Tradicional:  tem como objetivo a transmissão dos padrões, normas e modelos dominantes. Os conteúdos escolares são separados da realidade social e da capacidade cognitiva dos alunos, sendo impostos como verdade absoluta em que apenas o professor tem razão. Sua metodologia é baseada na memorização, o que contribui para uma aprendizagem mecânica, passiva e repetitiva.
Tendência Pedagógica Renovada: A pedagogia renovada é conhecida também como Pedagogia Nova ou Modernanela a escola deve adequar as necessidades do indivíduo ao meio social em que está inserido, tornando-se mais próxima da vida. Os conteúdos escolares passam a adequar-se aos interesses, ritmos e fases de raciocínio do aluno. Sua proposta metodológica tem como característica os experimentos e as pesquisas. O professor deixa de ser um mero expositor e assume o papel de elaborar situações desafiadoras da aprendizagem. Essa pedagogia apresenta-se mais democrática que a tradicional, baseada na crença de que a relação entre as pessoas pode ser mais justa. O professor passa a respeitar e a atender as necessidades individuais dos alunos.A estética moderna privilegia a inspiração e a sensibilidade, acentuando o respeito à individualidade do aluno. Dentro da tendência pedagógica renovada também existe a concepção renovada não-diretiva.
Renovada não-diretiva: há uma maior preocupação com o desenvolvimento da personalidade do aluno, com o autoconhecimento e com a realização pessoal. Tem o papel de formar atitudes e, para isso, esta deve estar mais preocupada com os aspectos psicológicos do que com os aspectos pedagógicos ou sociais. Os conteúdos escolares passam a ter significação pessoal, indo de encontro aos interesses e motivação do aluno. São incluídas atividades de sensibilidade, expressão e comunicação interpessoal, acentuando-se a importância dos trabalhos em grupos. Aprender torna-se um ato interno e intransferível. A relação professor-aluno passa a ser marcada pela afetividade.
Tendência Pedagógica Tecnicista: enfatiza a profissionalização e modela o individuo para integrá-lo ao modelo social vigente, tecnicista. Os conteúdos que ganham destaque são os objetivos e neutros. O professor administra os procedimentos didáticos, enquanto o aluno recebe as informações. O educador tem uma relação profissional e interpessoal com o aluno.
Já as tendências pedagógicas progressistas analisam de forma critica as realidades sociais, cuja educação possibilita a compreensão da realidade histórico-social, explicando o papel do sujeito como um ser que constrói sua realidade. Ela assume um caráter pedagógico e político ao mesmo tempo. É divida em três tendências:
Tendência Pedagógica Libertadora: o papel da educação é conscientizar para transformar a realidade e os conteúdos são extraídos da pratica social e cotidiana dos alunos. Os conteúdos pré-selecionados são vistos como uma invasão cultural. A metodologia é caracterizada pela problematizarão da experiência social em grupos de discussão. A relação do professor com o aluno é tida como horizontal em que ambos passam a fazer parte do ato de educar. A educação libertadora questiona concretamente a realidade das relações do homem com a natureza e com os outros homens, visando a uma transformação.
Tendência Pedagógica Libertaria: a escola propicia praticas democráticas, pois acredita que a consciência política resulta em conquistas sócias. Os conteúdos dão ênfase nas lutas sociais, cuja metodologia é está relacionada com a vivência grupal. O professor torna-se um orientador do grupo sem impor suas ideias e convicções.
Tendência Pedagógica Crítico-social dos conteúdos: a escola tem a tarefa de garantir a apropriação critica do conhecimento cientifico e universal, tornando-se uma arma de luta importante. Reconhece e afirma o papel fundamental da escola na socialização do saber, patrimônio cultural da humanidade de conteúdos abstratos e formais, mas da socialização de conceitos significativos, concretos, ligados às realidades sociais; conteúdos escolares que tenham ressonância na vida sociais dos alunos. Adota o método dialético, esse que é visto como o responsável pelo confronto entre as experiências pessoais e o conteúdo transmitido na escola. O educando participa com suas experiências e o professor com sua visão da realidade.
Nessa perspectiva, reunindo elementos das diversas tendências, mais especialmente da libertadora e da crítico-social, podemos identificar seus seguintes objetivos, que são: socialização dos conhecimentos; problematização da prática.

ESTUDO DIRIGIDO - UNIDADE III

1. Qual a relação entre filosofia e educação?
R= A Educação exerce influências sobre os indivíduos. Estes ao assimilarem e recriarem essas influências tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social. A Filosofia, ao longo da sua história, contribuiu para esclarecer uma serie considerável de dúvidas, o que ajudou nas transformações qualitativas na sociedade.
Tais contribuições e influências de ambos se manifestam através de conhecimentos, experiências, valores, crenças, modos de agir, técnicas e costumes por eles mediados.
2. Como a educação pode ser um instrumento de possibilidade transformação social?
R= A educação é um fenômeno social e universal, sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de todas as sociedades. Logo, a escola possibilita a mediação em cuidar da formação dos indivíduos, auxiliar no desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais, preparando os educandos para a participação ativa e transformadora nas várias instancia de sua prática social.
3. Como a educação reproduz a sociedade? Explorar o aspecto crítico desta posição, no sentido de situar a educação no contexto dos seus condicionantes sociais.
R= A educação está aliada a ideia de desenvolvimento, assim sendo orienta para os mais diversos caminhos e/ou áreas do conhecimento; realizando reflexões sobre o conhecimento e formando o ser humano a buscar sempre o bem em si e para seu desenvolvimento em sociedade.
4. Quais as contribuições da Filosofia para a educação?
R= Contribuiu com influências e modo de se manifestar através de conhecimentos, experiências, valores, modos de agir, técnicas e costumes e que sempre tinha como objetivos o ensinamento.
5. Caracterize as tendências pedagógicas que acreditam que a educação é:
a) Redentora da sociedade: concebe a educação como um meio de manter a organização social e resgatá-lo quando for necessário. Considera a educação uma instância exterior e superior, capaz de adaptar o indivíduo à sociedade e a integração de todos os indivíduos no corpo social, sendo a educação considerada autônoma, ou seja, ela não recebe interferências, ela é quem interfere na sociedade.
b) Reprodutora da sociedade: afirma que a educação faz integralmente parte da sociedade e a reproduz. Diferente da tendência anterior, esta aborda a educação como uma instância, dentro da sociedade e exclusivamente ao seu serviço. Não redimindo suas mazelas, mas reproduzindo no modelo vigente, perpetuando assim o modelo sendo crítica e reprodutivista desde que aborde a educação a partir de seus determinantes vendo somente como elementos destinados a reproduzir seus próprios condicionamentos.
c) Transformadora da sociedade: é crítica, busca compreender a educação como mediação de um projeto social. Quando na medida em que interpretam a educação dimensionada dentro dos determinantes sociais, com possibilidades de agir estrategicamente, sendo uma instância social, entre outras, na luta pela transformação da sociedade, de sua democratização efetiva e concreta, alcançando os aspectos políticos, sociais e econômicos.
6. Releia o texto sobre as tendências filosóficas da educação e selecione as informações solicitas abaixo:

HUMANISTA TRADICIONAL
a)Visão/concepção de homem
A concepção humanista tradicional está marcada pela visão essencialista de homem. O homem é entendido como constituído por uma essência imutável, cabendo à educação conformar-se à essência humana. A concepção humanista tradicional se distingue em duas vertentes. Temos a vertente religiosa, que tem suas raízes na Idade Média e cuja manifestação mais característica tem como base as correntes do tomismo e do neotomismo. A outra é a vertente leiga, que é centrada na ideia de “natureza humana”. Essa vertente que inspirou a construção dos “sistemas públicos de ensino” com as características de laicidade, obrigatoriedade e gratuidade.
b) Tarefa da educação
Transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade segundo uma gradação lógica, cabendo aos alunos assimilar os conteúdos que lhes são transmitidos.

HUMANISTA MODERNA
a)Visão/concepção de homem
A concepção humanista moderna abrange corretes como o Pragmatismo, Vitalismo, Historicismo, Existencialismo e Fenomenologia. Difere-se da concepção tradicional, com uma visão de homem centrada na existência, na vida e na atividade. Na visão tradicional dá-se um privilégio do adulto, considerado o homem acabado, completo, em oposição à criança, ser imaturo, incompleto. Na visão moderna, sendo o homem considerado completo desde o nascimento e inacabado até morrer. Admite-se a existência de formas descontínuas da educação, em dois sentidos. No primeiro sentido considera-se que a educação segue o ritmo vital que é variado, determinado pelas diferenças existenciais ao nível dos indivíduos. No segundo sentido, na medida em que os momentos verdadeiramente educativos são considerados raros, passageiros, instantâneos. São momentos de plenitude, porem fugazes e gratuitos.
b) Tarefa da educação
Adequar-se as necessidades do indivíduo ao meio social em que está inserido, tornando-se mais próxima da vida. Privilegia a inspiração e a sensibilidade, acentuando o respeito à individualidade do aluno.
ANALÍTICA
a)Visão/concepção de homem
Essa concepção de Filosofia da Educação não pressupõe explicitamente uma visão de homem nem um “sistema filosófico” geral. Ela diz que a tarefa da Filosofia da Educação é efetuar a análise da lógica da linguagem educacional. O método que mais se presta à tarefa proposta é o da chamada análise informal ou lógica informal. Não se pode esquecer que se trata do contexto linguístico e não do contexto sócio-econômico-político.
b) Tarefa da educação
Visa efetuar a análise da lógica da linguagem educacional, examinando o nível de consciência de professores e alunos a atingir um da realidade em que vivem na busca da transformação social.

DIALÉTICA
a) Visão/concepção de homem
A concepção dialética também se recusa a colocar no ponto de partida determinada visão de homem. Ela se interessa pelo homem concreto, que seria o homem como “síntese de múltiplas determinações”. Entende-se que os problemas educacionais não podem ser compreendidos senão por referência ao contexto histórico em que estão inseridos. A concepção dialética defende que o movimento segue leis objetivas que não só podem, mas devem ser conhecidas pelo homem. Encarando a realidade como essencialmente dinâmica, não se vê necessidade de negar o movimento para admitir o caráter essencial da realidade, nem de negar a essência para admitir o caráter dinâmico do real.
b) Tarefa da educação

Mediar a construção do conhecimento, criar situações de aprendizagem através da discussão de ideias a quais serão determinadas como métodos para o ensino.

AS CONCEPÇÕES FILOSÓFICAS DA EDUCAÇÃO E A PRATICA DO EDUCADOR

Prática Pedagógica pode assumir diferentes sentidos e significados. Numa perspectiva racionalista, pressupõe-se a existência de uma realidade única que pode ser fragmentada em partes manipuláveis independentemente. Assim, só é considerado válido o conhecimento fundamentado na realidade tal como a captamos através de nossos sentidos. A prática pedagógica, nessa perspectiva, é o resultado da aplicação de conhecimentos teóricos extraídos de diferentes disciplinas científicas na resolução de problemas, percorrendo um caminho no sentido da ideia à ação, dos princípios teóricos à prática.
Numa perspectiva empirista, a realidade é construída socialmente pelo homem, ao dar significado aos objetos, situações e experiências vividas. É o homem o verdadeiro criador do conhecimento e da realidade e, nesse processo de construção, dá-se ênfase ao caráter intencional da atividade humana. Em um sentido contínuo de construção, como parte da experiência vivida pelos sujeitos e elemento essencial de transformação da realidade.
A prática pedagógica, nessa perspectiva, é o resultado de um processo que tem o seu início na própria prática, informada tanto pela teoria como pela situação particular vivenciada pelo ator.
Numa perspectiva realista, a realidade é concebida como totalidade concreta, como um todo que possui sua própria estrutura, que se desenvolve que se vai criando. Portanto, todos os fenômenos e acontecimentos que o ser humano percebe da realidade fazem parte de uma totalidade, ainda que este não a perceba explicitamente. Assim, o conhecimento de fatos ou conjunto de fatos da realidade é o conhecimento do lugar que esses fatos ocupam na totalidade da própria realidade. E como a realidade não é transparente, para compreendê-la, é necessário captá-la por dentro, em seus processos, em suas múltiplas relações.
Assim, a prática pedagógica não só expressa o saber educador como também é fonte de desenvolvimento educando, de uma forma liberal preparando o aluno para o desenvolvimento das suas aptidões com vista no papel social que ele irá desempenhar futuramente. E como progresso preparando o aluno para desempenhar um papel sociopolítico ativo na sociedade, partindo da análise crítica da realidade social vivida pelo indivíduo, despertando o desejo de evolução, desenvolvimento, aperfeiçoamento, superação.
Portanto, a prática do educador caracteriza-se pelo estímulo à imaginação e aos questionamentos interferindo diretamente na capacidade crítica dos indivíduos na sociedade, o progresso e desenvolvimento social, dessa forma sendo um formador de senso crítico e opiniões.

ATIVIDADES PARA A UNIDADE I

1. Quais as características do pensamento mítico? Como e porque surgiu?
O pensamento mítico é uma forma pela qual um povo explica o mundo a seu redor, como a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais e as origens da vida e seus princípios correspondem antes de mais à primeira forma de pensar a realidade. O mito  surge a partir da necessidade de explicação sobre a origem e a forma das coisas, suas funções e finalidade, os poderes do divino sobre a natureza e os homens.
2. O que diferencia a consciência mítica da consciência filosófica?
Consciência mítica está num grau de reflexão mais básico, mais imediato, mais prático e mais instintivo. Consciência filosófica está num grau de reflexão mais elevado, menos imediato, menos prático e mais racional.
3. Quais acontecimentos históricos marcam o nascimento da filosofia?
Chega um momento no decorrer do processo histórico que a explicação mítica passa a ser questionada, por aqueles que seriam conhecidos como os primeiros filósofos, pelos pré-socráticos, preocupados em buscar o princípio fundamental das coisas.  O ponto de partida para a filosofia grega foram as poesias cosmogónicas. Essas poesias explicavam o surgimento do mundo através de interpretações míticas. Segundo Jean Pierre Vernant, em As origens do pensamento grego, esse pensamento racional denominado Filosofia foi propiciado pelas formas de organização social, política e econômica da cidade-estado, que tiveram início com a invasão dos dórios na Grécia e a derrubada do poder centralizado na figura do rei divino. Tudo isto possibilitou aos gregos uma diferente visão e questionamento sobre o mundo.
4. Explique segundo seu entendimento:
5. Por que a filosofia incomoda?
Por está relacionada a busca da realidade através da razão, se tornando assim uma poderosa arma de questionamento das realidades do nosso mundo em sociedade.
6. O que diferencia a Filosofia das Ciências particulares?
A filosofia abrange todas as coisas, englobam as coisas mais universais, suas perguntas respondidas não por ser respondidas por outras ciência. Já a ciência é dedicada ao conhecimento específico, cobrir as coisas mais imediatas (específico), usando métodos científicos. A filosofia nasce da necessidade do homem para encontrar a verdade sobre si mesmo; É, antes, algo espiritual e cada pessoa pode ter seus próprios motivos válidos. Enquanto outras ciências estão interessadas no mundo material e como fazer tudo mais prático.
7. Comente as características próprias da reflexão filosófica.
O simples ato de pensar é a chave para suas características, partindo daí o senso comum. O pensar exige método e profundidade na análise o que é característico da filosofia. O ato de pensar filosoficamente possui um caminho que nos permite pensar de modo mais amplo e coerente. A filosofia é radical não no sentido corriqueiro de ser inflexível, mas enquanto busca explicar os conceitos fundamentais usados em todos os campos do pensar e do agir. Enquanto as ciências são particulares porque se ocupam somente com o seu objeto de estudo a filosofia está interessada na reflexão sobre a totalidade. Para haver a compreensão real dos fatos, é preciso inseri-los no contexto do qual fazem parte. A crítica e minuciosa e análise dos fatos também faz parte da filosofia.
8º O mito é uma mentira? Justifique.
O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem o acredita. A narração de determinada história mítica exercem grande papel. Quando uma história acontece conosco, aprendemos algo com ela e a contamos a alguém, estamos contando um mito, uma história que quando alguém ouve a recria dentro de sua mente e coração aprendendo algo. Os mitos, mesmo na Grécia antiga, não eram sinônimo exclusivo de histórias filosóficas, religiosas ou culturais, podiam ser também histórias verdadeiras e que de fato aconteceram. Com a dominação dos romanos sobre os gregos, toda essa mitologia começou a ser travestida por erros de interpretação e descrença, assim se tornando sinônima de mentira. O mito sugere, entretanto, que por trás da explicação existe uma realidade que não pode ser conhecida e/ou examinada, porém que pode ser acreditada.
9º O que significou para a filosofia a ilíada e odisseia de Homero e a Teogonia de Hesíodo?
Ilíada e Odisseia de Homero constituem os mais antigos e extensos documentos literários gregos (e ocidental) na forma de poesia épica que narravam fatos da mitologia grega. Teogonia de Hesídio é constituída por um conjunto de mitos, entidades divinas ou fantásticas e lendas. A Teogonia é a mais completa e importante fonte de mitos sobre a origem e a história dos deuses. As histórias de grandes feitos, heróis e grandes combates constituem as narrativas escritas por Homero. Todas estas apresentando narrativas da mitologia grega. Influenciaram fortemente a cultura clássica de maneira geral, abrangendo campos não só da literatura, como a poesia lírica e a tragédia (influenciando a linguagem e os temas desses), mas também a historiografia (não só pela temática bélica, mas a também a estrutura das narrativas historiográficas), a filosofia, etc. É considerada como a "obra fundadora" da literatura ocidental e uma das mais importantes da literatura mundial.
10º Teça comentários a respeito do nascimento da filosofia.
A partir do momento em que o homem passou a romper com a ideia de mito e se voltou a raciocinar a respeito do surgimento de tudo ao observar a natureza e seus fenômenos, houve o surgimento da filosofia. O primeiro filosofo da natureza, ou pré-socrático foi, Tales de Mileto, que foi quem, segundo historiadores, deu início a primeira escola de filosofia, depois dele, como você pode observar, vieram muitos outros até chegarmos nos dias atuais. Estes primeiros filósofos passaram a buscar na natureza elementos que pudessem ser a origem de tudo e, ao começar a raciocinar sobre a origem das coisas, romperam com a ideia de destino e sorte, proposta pelos antigos gregos, os quais atribuíam tudo a seus deuses, desde um simples trovão a uma doença. Assim, a filosofia nasce e abre o universo pela busca da realidade.
11º O que é refletir?
A reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo ou a alguma situação. A reflexão filosófica é tida como radical porque é um movimento de volta do pensamento próprio para conhecer determinado significado ou indagar como é possível tais acontecimentos.
12º Quais as características da Filosofia segundo Demerval Saviani?
Dermeval Saviani define filosofia como uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto.
Radical: a palavra latina radix, radicis significa raiz, e no sentido figurado, fundamento, base. Portanto, a filosofia é radical não no sentido corriqueiro de ser inflexível, mas enquanto busca explicar os conceitos fundamentais usados em todos os campos do pensar e do agir. Por exemplo, a filosofia das ciências examina os pressupostos do saber científico, do mesmo modo que, diante da decisão de um vereador em aprovar determinado projeto, a filosofia política investiga as raízes que orientam sua ação.
Rigorosa: enquanto a "filosofia de vida" não leva a conclusões até as últimas consequências, e nem sempre capaz de examinar os fundamentos delas, o filósofo deve dispor de um método claramente explicitado a fim de proceder com rigor, garantindo a coerência e o exercício da crítica. O filósofo usa uma linguagem rigorosa para evitar ambiguidades ou duplas interpretações. Isso possibilita a discussão das suas teses a partir de conceitos claros e precisos.
De conjunto: enquanto as ciências são particulares porque se ocupam somente com o seu objeto de estudo, a filosofia é de conjunto porque analisa a questão de forma global, isto é, examina os problemas sob a perspectiva de conjunto, relacionando os diversos aspectos entre si. A filosofia visa ao todo, à totalidade.

Atividade 2 Sociologia

Atividade 2

1.      Explique o que é violência simbólica exemplificando com fatos do cotidiano escolar.
R= O conceito de violência simbólica foi criado pelo pensador francês Pierre Bourdieu para descrever o processo pelo qual a classe que domina economicamente impõe sua cultura aos dominados, havendo assim uma desigualdade entre as classes. A violência simbólica nas escolas ocorre de várias maneiras, tanto do professor para o aluno, que o trata de forma igual aos outros, sem se preocupar com a diferença social, econômica, ou quando o professor impede o próprio aluno de pensar, fazendo apenas reproduzir o que deseja a instituição, entre outras coisas e, até mesmo, do aluno para o professor, quando este se demonstra desinteressado pelo conteúdo que o professor lhe repassa, etc.
2.      Como a escola pode funcionar como um aparelho ideológico do Estado?
R= A escola é conservadora na prática da manutenção da ordem e organização das relações dentro da sociedade. Segundo o filósofo Althusser a escola é o grande regulador e controlador das massas, e do sistema de ensino. O estado possui a ideologia que promove a organização das relações objetivas em função de suas representações. A ideologia é o sistema de ideias e das representações que domina o espírito de um homem ou de um grupo social.
3.    O que é socialização? Cite exemplos dentro e fora da escola segundo a classificação proposta por Peter Berger em socialização primária e secundária.
R= Socialização é o processo pelo qual o indivíduo, no sentido biológico, é integrado numa sociedade, pelo ato ou efeito de socializar, ou seja, de tornar social, de reunir em sociedade. Dentro da escola o indivíduo adquire conhecimento do papel dos outros e neste processo entende o seu papel, sendo integrado a uma dada realidade, em suma, apreende sua personalidade através de uma atitude reflexa. Sendo esta a socialização primária, onde o individuo experimenta através da escola e ou da família as virtudes de conviver em sociedade e torna-se um ser social. Fora do ambiente escolar, temos indivíduos já incorporados na realidade social, porém havendo um novo ambiente influenciado por terceiros, é todo e qualquer processo que introduz um indivíduo já socializado em novas e diferentes realidades sociais de convivência da sua sociedade: a escola, os grupos de amigos, clubes, atividades esportivas de âmbito coletivo, entre outras. Sendo este a socialização secundária.
4.    O que são instituições sociais?
R= Entende-se por instituição social o conjunto de regras e procedimentos padronizados, reconhecidos, sancionados e aceitos pela sociedade, e que possui um enorme valor social. Nada mais são do que os modos de pensar, de agir e de sentir que o indivíduo encontra estabilidade. Sendo um grupo social estável e de existência duradoura, como exemplo temos a família, instituição religiosa, instituição de ensino, instituição política e instituição econômica.

Atividade 1 Sociologia

Atividade 1
1.      Quais os principais elementos que marcaram o surgimento da Sociologia enquanto fruto de transformações históricas, sociais e intelectuais?
R= A sociologia surgiu, na primeira metade do século XIX, sob o impacto da Revolução Industrial e da Revolução Francesa. O papel decisivo da “dupla revolução” foi amplificado pelo debate intelectual da época. E num ambiente marcado pela competição entre as visões de mundo do conservadorismo, do liberalismo e do socialismo – daí seu esforço constante para se distinguir dessas correntes, apresentando-se como uma alternativa, científica ou mesmo crítica, em relação a tais modelos explicativos.
A ambição intelectual da sociologia, a tentativa de compreender, em um registro científico, a origem, o caráter e os desdobramentos dessa nova sociedade, levou-a a se apresentar como uma espécie de contraponto em relação às demais disciplinas das “ciências humanas”. Assim, desde o início, a sociologia procurou diferenciar-se da economia, da história, da geografia, da filosofia, da psicologia etc.
2.      No texto O que é Sociologia Anthony Giddens destaca três implicações práticas a respeito do estudo da Sociologia. Comente-as e exemplifique com fatos relacionados com o cotidiano escolar.
R= Existem várias implicações práticas para o estudo da sociologia, dentre elas podemos destacar as seguintes:
Consciência de diferenças culturais - Em primeiro lugar, a Sociologia permite que olhemos para o mundo social a partir de muitos pontos de vista. Muito frequentemente, se compreendermos corretamente o modo como os outros vivem, adquirimos igualmente uma melhor compreensão dos seus problemas. As medidas políticas que não se baseiam numa consciência informada dos modos de vida das pessoas que afetam têm poucas hipóteses de sucesso. Deste modo, um assistente social branco que trabalhe numa comunidade predominantemente negra não irá ganhar a confiança dos seus membros, a não ser que desenvolva uma sensibilidade face às diferenças de experiência social que frequentemente separam brancos e negros.
Avaliação dos efeitos das políticas
Em segundo lugar, a pesquisa sociológica fornece uma ajuda prática na avaliação dos resultados de iniciativas políticas. Um programa de reformas práticas pode simplesmente falhar a consecução dos objetivos que os seus autores pretendiam, ou produzir consequências não intencionais de cariz prejudicial. A título de exemplo, refira-se que nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial construíram-se grandes blocos habitacionais de iniciativa pública no centro das cidades de muitos países. A intenção era providenciar um bom nível de habitação, com zonas comerciais e outros serviços públicos à mão, para os moradores dos bairros degradados e com baixos rendimentos. Contudo, a investigação mostrou que muitos dos que se mudaram para esses blocos habitacionais se sentiam isolados e infelizes. Em muitos casos os grandes blocos habitacionais e as áreas comerciais em zonas pobres depressa se degradaram, tendo-se transformado em viveiros para a ladroagem e outros crimes violentos.
Auto-consciencialização - Em terceiro lugar, e em alguns aspectos o mais importante, a Sociologia pode permitir-nos uma auto-consciencialização — uma auto-compreensão cada vez maior. Quanto mais sabemos acerca das razões pelas quais agimos como agimos e como funciona, de uma forma global, a nossa sociedade, tanto mais provável é que sejamos capazes de influenciar o nosso futuro. Não devemos conceber a Sociologia como algo que apenas ajuda os decisores políticos - ou seja, os poderosos — a tomar as melhores medidas. Não se pode presumir que aqueles que estão no poder, ao tomarem decisões, tenham sempre em consideração os interesses dos grupos menos poderosos ou desfavorecidos. Os grupos com autoconsciência podem, com frequência, beneficiar da investigação sociológica, para assim poder responder de uma forma eficaz às medidas políticas governamentais ou para promover as suas próprias iniciativas políticas. Grupos de auto-ajuda, como os Alcoólicos Anónimos, e movimentos sociais, como os ecologistas, são exemplos de grupos sociais que lograram introduzir reformas práticas com um sucesso considerável.
3.      As teorias sociológicas clássicas de Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber apresentam diferentes perspectivas sobre a sociedade. Disserte sobre as diferenças teóricas desses autores ressaltando a definição do objeto e método de estudo.
R= Os primeiros teóricos da sociologia buscavam compreender o comportamento da sociedade diante da realidade em que viviam. Baseado em teorias e métodos de estudos chegaram sobre a sociedade chegaram a determinadas conclusões.
Émile Durkheim (1858-1917) - O seu famoso princípio básico da Sociologia era estudar os fatos sociais como coisas. Queria com isso dizer que a vida social podia ser analisada com o mesmo rigor com que se analisam objetos ou fenómenos da natureza. De acordo com o autor, fatos sociais são formas de agir, pensar ou sentir que são externas aos indivíduos, tendo uma realidade própria exterior à vida e percepções das pessoas individualmente.
Outra característica dos fatos sociais é exercerem um poder coercivo sobre os indivíduos. No entanto, a natureza constrangedora dos factos sociais raramente reconhecida pelas pessoas como algo coercivo, pois e uma forma geral atuam de livre vontade de acordo com os fatos sociais, acreditando que estão a agir segundo as suas opções. Na verdade, afirma Durkheim. Frequentemente as pessoas seguem simplesmente padrões que são comuns na sociedade onde se inserem. Os fatos sociais podem condicionar a ação humana de variadas formas, que vão do castigo puro e simples (no caso de um crime, por exemplo) a um simples mal-entendido (no caso do uso incorreto da linguagem).
Max Weber (1864-1920) - Na perspectiva de Weber, os fatores económicos eram importantes, mas as ideias e os valores tinham o mesmo impacto sobre a mudança social. Ao contrário dos primeiros pensadores sociológicos, Weber defendeu que a Sociologia devia centrar-se na ação social, e não nas estruturas. Argumentava que as ideias e as motivações humanas eram as forças que estavam por detrás da mudança -- as ideias, valores e crenças tinham o poder de originar transformações. Segundo o autor, os indivíduos têm a capacidade de agir livremente e configurar o futuro.
Karl Marx (1881-1883) - A perspectiva de Marx assentava no que denominava concepção materialista da história. De acordo com esta perspectiva, não se encontram nas ideias ou nos valores humanos as principais fontes de mudança social. Pelo contrário, a mudança social é promovida acima de tudo por fatores económicos. Os conflitos entre classes fornecem a motivação para os desenvolvimentos históricos -- eles são o motor da história. Nas palavras de Marx, toda a história humana é, até à data, a história da luta de classes.
Portanto, a principal preocupação intelectual da Sociologia reside no estudo dos factos sociais. O objeto de estudo da sociologia engloba a análise dos fenômenos de interação entre os indivíduos, as formas internas de estrutura (as camadas sociais, a mobilidade social, os valores, as instituições, as normas, as leis), os conflitos e as formas de cooperação geradas através das relações sociais, e a descrição sistemática e análise de determinados comportamentos sociais.
4.      A partir da contribuição teórico-metodológica dos clássicos da Sociologia (Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber), apresente a postura analítica da educação de seus principais representantes na sociedade capitalista.
R= Os clássicos da sociologia nos permitem apropriar de instrumentos para análises do papel da educação na sociedade capitalista do final do século XX e inicio do XXI, compreendendo quais os novos elementos que estão sendo produzidos na educação, em especial na escola, que contribuam para a reprodução das relações sociais em seu caráter mais amplo, ao mesmo tempo em que identificam quais os elementos que estão sendo reproduzidos para garantir as novas formas produzidas pelo capital para garantir seu poder de dominação.
Por outro lado, também contribui na identificação dos novos elementos produzidos na educação e que contribuem para a luta pelas transformações das relações sociais de produção capitalista e os próprios elementos que são reproduzidos na educação e na escola como formas de resistência à exploração imposta pelo capital.
Portanto, defendemos a tese de que, para melhor compreendermos as transformações hoje na educação e o papel que a escola cumpre no processo de globalização da economia e da implementação da política neoliberal, faz-se necessário retomarmos os clássicos da sociologia, não como ecletismo teórico, mas sim tomarmos como referencial teórico-metodológico e incorporando contribuições valiosas do pensamento clássico como elementos subordinados ao referencial teórico metodológico escolhido.
5.      Anthony Giddens (2005, p. 17-19) considera o funcionalismo, a perspectiva do conflito e o interacionismo simbólico como as três correntes mais importantes na Sociologia. Explique cada uma delas.
R= Funcionalismo
O funcionalismo defende que a sociedade é um sistema complexo cujas partes se conjugam para garantir estabilidade e solidariedade. Segundo esta perspectiva, a Sociologia, enquanto disciplina, deve investigar o relacionamento das partes da sociedade entre si e para com a sociedade enquanto um todo. O funcionalismo enfatiza a importância do consenso moral na manutenção da ordem e da estabilidade na sociedade. O consenso moral verifica-se quando a maior parte das pessoas de uma sociedade partilham os mesmos valores.
Perspectiva do Conflito
Tal como os funcionalistas, os sociólogos que adotaram as teorias de conflito sublinham a importância das estruturas na sociedade. Defendem também um modelo abrangente para explicar a forma como a sociedade funciona. Os teóricos do conflito rejeitam, no entanto, a ênfase que os funcionalistas dão ao consenso. Pelo contrário, preferem sublinhar a importância das divisões na sociedade. Ao fazê-lo, centram a analise em questões de poder, na desigualdade e na luta. Tendem a ver a sociedade como algo que é composto por diferentes grupos que lutam pelos seus próprios interesses.
Mas tão ou mais importantes são os campos que se caracterizam pelo conflito e pela divisão. De acordo com Dahrendorf, o conflito surge principalmente do facto de os indivíduos e grupos terem diferentes interesses. Marx concebia as diferenças de interesses, sobretudo em função das classes, mas Dahrendorf relaciona-as de uma forma mais vasta com a autoridade e o poder. Em todas as sociedades há uma separação de interesses entre aqueles que detêm autoridade e aqueles que estão em grande medida excluídos dela, uma separação entre governantes e governados, portanto.
Interaccionismo simbólico
O interaccionismo simbólico nasce de uma preocupação com a linguagem e o sentido. O interaccionismo simbólico dirige a nossa atenção para os detalhes da interação interpessoal, e para a forma como esses detalhes são usados para conferir sentido ao que os outros dizem e fazem. Os sociólogos influenciados por esta corrente teórica centram muitas vezes a sua atenção na interação face-a-face e nos contextos da vida quotidiana, realçando a importância do papel dessas interações na criação da sociedade e das suas instituições.