Atividade
1
1.
Quais os principais elementos que marcaram o surgimento da
Sociologia enquanto fruto de transformações históricas, sociais e intelectuais?
R= A sociologia surgiu, na
primeira metade do século XIX, sob o impacto da Revolução Industrial e da
Revolução Francesa. O papel decisivo da “dupla revolução” foi amplificado pelo
debate intelectual da época. E num ambiente marcado pela competição entre as visões
de mundo do conservadorismo, do liberalismo e do socialismo – daí seu esforço
constante para se distinguir dessas correntes, apresentando-se como uma
alternativa, científica ou mesmo crítica, em relação a tais modelos
explicativos.
A
ambição intelectual da sociologia, a tentativa de compreender, em um registro
científico, a origem, o caráter e os desdobramentos dessa nova sociedade,
levou-a a se apresentar como uma espécie de contraponto em relação às demais
disciplinas das “ciências humanas”. Assim, desde o início, a sociologia
procurou diferenciar-se da economia, da história, da geografia, da filosofia,
da psicologia etc.
2.
No
texto O que é Sociologia Anthony
Giddens destaca três implicações práticas a respeito do estudo da Sociologia.
Comente-as e exemplifique com fatos relacionados com o cotidiano escolar.
R=
Existem várias implicações práticas para o estudo da sociologia, dentre elas
podemos destacar as seguintes:
Consciência de
diferenças culturais - Em primeiro lugar, a Sociologia
permite que olhemos para o mundo social a partir de muitos pontos de vista.
Muito frequentemente, se compreendermos corretamente o modo como os outros
vivem, adquirimos igualmente uma melhor compreensão dos seus problemas. As
medidas políticas que não se baseiam numa consciência informada dos modos de
vida das pessoas que afetam têm poucas hipóteses de sucesso. Deste modo, um
assistente social branco que trabalhe numa comunidade predominantemente negra
não irá ganhar a confiança dos seus membros, a não ser que desenvolva uma
sensibilidade face às diferenças de experiência social que frequentemente
separam brancos e negros.
Avaliação dos efeitos
das políticas
Em
segundo lugar, a pesquisa sociológica fornece uma ajuda prática na avaliação dos
resultados de iniciativas políticas. Um programa de reformas práticas pode
simplesmente falhar a consecução dos objetivos que os seus autores pretendiam,
ou produzir consequências não intencionais de cariz prejudicial. A título de
exemplo, refira-se que nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial
construíram-se grandes blocos habitacionais de iniciativa pública no centro das
cidades de muitos países. A intenção era providenciar um bom nível de
habitação, com zonas comerciais e outros serviços públicos à mão, para os
moradores dos bairros degradados e com baixos rendimentos. Contudo, a
investigação mostrou que muitos dos que se mudaram para esses blocos
habitacionais se sentiam isolados e infelizes. Em muitos casos os grandes
blocos habitacionais e as áreas comerciais em zonas pobres depressa se
degradaram, tendo-se transformado em viveiros para a ladroagem e outros crimes
violentos.
Auto-consciencialização
- Em terceiro lugar, e em alguns aspectos o mais importante, a Sociologia
pode permitir-nos uma auto-consciencialização — uma
auto-compreensão cada vez maior. Quanto mais sabemos acerca das razões pelas
quais agimos como agimos e como funciona, de uma forma global, a nossa
sociedade, tanto mais provável é que sejamos capazes de influenciar o nosso
futuro. Não devemos conceber a Sociologia como algo que apenas ajuda os
decisores políticos - ou seja, os poderosos — a tomar as melhores medidas. Não
se pode presumir que aqueles que estão no poder, ao tomarem decisões, tenham
sempre em consideração os interesses dos grupos menos poderosos ou
desfavorecidos. Os grupos com autoconsciência podem, com frequência, beneficiar
da investigação sociológica, para assim poder responder de uma forma eficaz às
medidas políticas governamentais ou para promover as suas próprias iniciativas
políticas. Grupos de auto-ajuda, como os Alcoólicos Anónimos, e movimentos
sociais, como os ecologistas, são exemplos de grupos sociais que lograram
introduzir reformas práticas com um sucesso considerável.
3.
As
teorias sociológicas clássicas de Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber
apresentam diferentes perspectivas sobre a sociedade. Disserte sobre as
diferenças teóricas desses autores ressaltando a
definição do objeto e método de estudo.
R= Os primeiros teóricos da sociologia
buscavam compreender o comportamento da sociedade diante da realidade em que
viviam. Baseado em teorias e métodos de estudos chegaram sobre a sociedade
chegaram a determinadas conclusões.
Émile
Durkheim (1858-1917) - O seu famoso princípio básico da
Sociologia era estudar os fatos sociais como coisas. Queria
com isso dizer que a vida social podia ser analisada com o mesmo rigor com que
se analisam objetos ou fenómenos da natureza. De acordo com o autor, fatos sociais são formas de agir,
pensar ou sentir que são externas aos indivíduos, tendo uma realidade
própria exterior à vida e percepções das pessoas individualmente.
Outra
característica dos fatos sociais é exercerem um poder coercivo sobre os
indivíduos. No entanto, a natureza constrangedora dos factos sociais raramente
reconhecida pelas pessoas como algo coercivo, pois e uma forma geral atuam de
livre vontade de acordo com os fatos sociais, acreditando que estão a agir
segundo as suas opções. Na verdade, afirma Durkheim. Frequentemente as pessoas
seguem simplesmente padrões que são comuns na sociedade onde se inserem. Os fatos
sociais podem condicionar a ação humana de variadas formas, que vão do
castigo puro e simples (no caso de um crime, por exemplo) a um simples
mal-entendido (no caso do uso incorreto da linguagem).
Max Weber (1864-1920)
- Na perspectiva de Weber, os fatores económicos eram importantes, mas as
ideias e os valores tinham o mesmo impacto sobre a mudança social. Ao contrário
dos primeiros pensadores sociológicos, Weber defendeu que a Sociologia devia
centrar-se na ação social,
e não nas estruturas. Argumentava que as ideias e as motivações humanas
eram as forças que estavam por detrás da mudança -- as ideias, valores e
crenças tinham o poder de originar transformações. Segundo o autor, os
indivíduos têm a capacidade de agir livremente e configurar o futuro.
Karl Marx (1881-1883) -
A
perspectiva de Marx assentava no que denominava concepção materialista da
história. De acordo com esta perspectiva, não se encontram nas ideias ou nos
valores humanos as principais fontes de mudança social. Pelo contrário, a
mudança social é promovida acima de tudo por fatores económicos. Os conflitos entre
classes
fornecem a motivação para os desenvolvimentos históricos -- eles são o motor da
história. Nas palavras de Marx, toda a história humana é, até à data, a
história da luta de classes.
Portanto,
a principal preocupação intelectual da Sociologia reside no estudo dos factos
sociais. O objeto de estudo da sociologia engloba a análise dos fenômenos de
interação entre os indivíduos, as formas internas de estrutura (as camadas
sociais, a mobilidade social, os valores, as instituições, as normas, as leis),
os conflitos e as formas de cooperação geradas através das relações sociais, e
a descrição sistemática e análise de determinados comportamentos sociais.
4. A partir da contribuição teórico-metodológica dos
clássicos da Sociologia (Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber), apresente a
postura analítica da educação de seus principais representantes na sociedade
capitalista.
R=
Os clássicos da sociologia nos permitem apropriar de instrumentos para análises
do papel da educação na sociedade capitalista do final do século XX e inicio do
XXI, compreendendo quais os novos elementos que estão sendo produzidos na
educação, em especial na escola, que contribuam para a reprodução das relações
sociais em seu caráter mais amplo, ao mesmo tempo em que identificam quais os
elementos que estão sendo reproduzidos para garantir as novas formas produzidas
pelo capital para garantir seu poder de dominação.
Por
outro lado, também contribui na identificação dos novos elementos produzidos na
educação e que contribuem para a luta pelas transformações das relações sociais
de produção capitalista e os próprios elementos que são reproduzidos na
educação e na escola como formas de resistência à exploração imposta pelo
capital.
Portanto,
defendemos a tese de que, para melhor compreendermos as transformações hoje na
educação e o papel que a escola cumpre no processo de globalização da economia
e da implementação da política neoliberal, faz-se necessário retomarmos os
clássicos da sociologia, não como ecletismo teórico, mas sim tomarmos como
referencial teórico-metodológico e incorporando contribuições valiosas do
pensamento clássico como elementos subordinados ao referencial teórico
metodológico escolhido.
5. Anthony
Giddens (2005, p. 17-19) considera o funcionalismo,
a perspectiva do conflito e o interacionismo
simbólico como as três correntes mais
importantes na Sociologia. Explique cada uma delas.
R= Funcionalismo
O
funcionalismo defende que a sociedade é um sistema complexo cujas partes se
conjugam para garantir estabilidade e solidariedade. Segundo esta perspectiva,
a Sociologia, enquanto disciplina, deve investigar o relacionamento das partes
da sociedade entre si e para com a sociedade enquanto um todo. O funcionalismo
enfatiza a importância do consenso moral na
manutenção da ordem e da estabilidade na sociedade. O consenso moral
verifica-se quando a maior parte das pessoas de uma sociedade partilham os mesmos
valores.
Perspectiva do Conflito
Tal
como os funcionalistas, os sociólogos que adotaram as teorias de conflito
sublinham a importância das estruturas na sociedade. Defendem também um modelo
abrangente para explicar a forma como a sociedade funciona. Os teóricos do
conflito rejeitam, no entanto, a ênfase que os funcionalistas dão ao consenso.
Pelo contrário, preferem sublinhar a importância das divisões na sociedade. Ao
fazê-lo, centram a analise em questões de poder, na desigualdade e na luta.
Tendem a ver a sociedade como algo que é composto por diferentes grupos que
lutam pelos seus próprios interesses.
Mas
tão ou mais importantes são os campos que se caracterizam pelo conflito e pela
divisão. De acordo com Dahrendorf, o conflito surge principalmente do facto de
os indivíduos e grupos terem diferentes interesses. Marx concebia as diferenças
de interesses, sobretudo em função das classes, mas Dahrendorf relaciona-as de
uma forma mais vasta com a autoridade e o poder. Em todas as sociedades há uma
separação de interesses entre aqueles que detêm autoridade e aqueles que estão
em grande medida excluídos dela, uma separação entre governantes e governados,
portanto.
Interaccionismo simbólico
O
interaccionismo simbólico nasce de uma preocupação com a linguagem e o sentido.
O interaccionismo simbólico dirige a nossa atenção para os detalhes da
interação interpessoal, e para a forma como esses detalhes são usados para
conferir sentido ao que os outros dizem e fazem. Os sociólogos influenciados
por esta corrente teórica centram muitas vezes a sua atenção na interação
face-a-face e nos contextos da vida quotidiana, realçando a importância do
papel dessas interações na criação da sociedade e das suas instituições.